• Milagres, 23/05/2026
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R$ 2,7 MILHÕES, 30 MESES E UM MARCO DO DESPERDÍCIO: A LIÇÃO DO NILSÃO

Entrega com pompa, abandono na prática. Em menos de três anos, o Estádio Nilsão, revitalizado com milhões, virou exemplo da falência da gestão pública que prioriza inauguração e ignora manutenção.

Francisco Silva
R$ 2,7 MILHÕES, 30 MESES E UM MARCO DO DESPERDÍCIO: A LIÇÃO DO NILSÃO

ACONTECEU. A GENTE MOSTRA! DIRETO AO PONTO MILAGRES

O estádio municipal Arena Milagres "O Nilsão" mostra uma degradação precoce. Não se trata de um estádio secular. É o Estádio Municipal Nilson Bernardo, o “Nilsão”, que completa 30 meses de sua reinauguração em meio a um gramado maltratado, estruturas sem uso e um silêncio ensurdecedor diante da falta de ação. O investimento do Governo do Estado do Ceará foi de R$ 2.762.913,33. Em troca, o cidadão de Milagres recebeu um retrato fiel de como a administração pública trata o dinheiro suado do povo: com festa na entrega e descaso depois. Em novembro de 2023, a gestão do prefeito Cícero Figueiredo (que, à época, já ocupava o cargo), ao lado do governador Elmano de Freitas, comemorou a entrega de um “sonho” dos desportistas milagrenses e um “marco para o esporte local”. O discurso, hoje, ecoa como ironia.

O estádio, localizado na Avenida Prisca Sobreira Dantas, recebeu intervenções que incluíram nova tribuna de honra, reforma e ampliação das arquibancadas, recuperação do gramado e novo sistema de iluminação. No papel, um equipamento de primeiro mundo. Na realidade, um elefante branco em formação.

A Secretaria de Juventude, Esporte e Qualidade de Vida (SJEQV), comandada atualmente por Antonio Gilderlande Oliveira Saraiva (Landim), tem entre suas funções mais claras: “administrar o funcionamento, a manutenção e a qualidade da infraestrutura física esportiva do município”. A pergunta que não quer calar é: cadê a manutenção? Os relatos já não são casos isolados. A ausência de uso contínuo, os primeiros sinais claros de deterioração e a utilização esporádica do equipamento indicam que, para esta gestão, a entrega de uma obra pública é a linha de chegada e não o início da responsabilidade.

No meio desse descaso, a Câmara Municipal de Milagres apresenta uma ausência sonora. Os vereadores têm a caneta e a voz para convocar secretários e cobrar explicações. Mas, diante do estado do Nilsão, a população deveria perguntar: onde estão os pedidos de informação? Onde está a convocação formal do secretário de Esportes? O silêncio legislativo diante de um problema tão evidente é, no mínimo, conivente. Enquanto o esporte agoniza por falta de política pública consistente, o cidadão fica com a sensação de que seu representante prefere batizar ruas e conceder títulos de cidadão a cobrar eficiência. A representatividade, nesse contexto, fica em xeque.

O caso do Nilsão escancara uma verdade incômoda: o funcionalismo público em especial os cargos de secretariado parece não ter sido estruturado com base em critérios técnicos, mas em articulação política. Gestão não se resume a “entregar obra”, mas a zelar por ela. Sempre foi assim. A população de Milagres merece transparência e, acima de tudo, ação. O Direto ao Ponto Milagres seguirá de olho, sem filtro político, com a verdade e o rigor que você merece. O Nilsão não é apenas um patrimônio abandonado. É um símbolo do descaso. E nós vamos continuar mostrando. Fechamos esta edição com a certeza de que obra pública não termina na faixa de inauguração. Sem manutenção, vira custo. Sem uso, vira desperdício. Sem fiscalização, vira rotina. E, quando a rotina se instala, o prejuízo deixa de ser apenas financeiro passa a ser institucional.




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